Deve-se gravar entrevistas em investigações internas?

Joe Murphy, especialista em compliance, traz alguns elementos para a discussão sobre a gravação de entrevistas em investigações internas.

O autor considera que:
1 – Hoje em dia todo mundo tem um gravador em seus smartphones. Juízes e tomadores de decisão aceitam esse modo de gravação. Existe, pois, uma facilidade em se gravar.
2 – A gravação afasta qualquer argumento sobre a existência de influência indevida durante a entrevista ou de que seu conteúdo foi modificado.
3 – Entrevistas gravadas podem ser excelentes ferramentas para treinamento.
4 – Quando gravadas, entrevistas podem levar à identificação de pontos de melhora e desenvolvimento de novas técnicas.
Link da notícia

COMENTÁRIO:
Escolhemos essa matéria para tratar de um tema sensível, qual seja, gravar, ou não, entrevistas realizadas em investigações internas.

Concordo com os pontos levantados pelo autor, ou seja, reconheço que esses 4 itens possam sim ser benefícios que advém das gravações.

Entretanto, há um ponto sensível que não foi colocado e que deve ser, cuidadosamente, considerado quando se tomar a decisão de realizar a gravação de uma entrevista.

Obviamente parto do pressuposto de que, antes do início da gravação, será avisado ao entrevistado que a entrevista será gravada. Ou seja, ele terá ciência de que tudo o que ele falar será arquivado e poderá ser usado em momento futuro.

Sequer vou entrar na discussão de solicitar, ou não, a sua permissão para a gravação.

Parto, então, desse cenário no qual o entrevistado foi avisado e decide falar sabendo que será gravado.

Pois bem, o que a notícia não trata é qual o impacto na VERACIDADE e EXTENSÃO do que seria falado, diante de um gravador colocado na frente do entrevistado.

Consigo pensar em diversas situações e motivos pelos quais uma pessoa, diante de um gravador, se sinta pouco a vontade em falar o que falaria, se não houvesse um gravador na mesa.

Acredito que a decisão de usar, ou não, o gravador, depende do que se busca alcançar com a entrevista. Ou seja, caso o objetivo maior seja dar crédito ao processo de investigação, certamente a gravação será de grande auxílio.

Entretanto, caso o objetivo maior seja conhecer a verdade, ou seja, saber exatamente o que ocorreu, quais os fatos reais que o entrevistado presenciou ou teve conhecimento, então pode ser que o uso do gravador atrapalhe esse objetivo.

Não estou opinando pelo não uso, apenas colocando mais um elemento a ser sopesado antes do uso do aparelho.

Qual a sua opinião?

Visite nosso site e conheça mais do nosso App para gestão do programa de Compliance da sua empresa- iCOMPLY: icomply.com.br

Se quiser saber mais, assine nosso canal sobre Compliance, integridade e ações anticorrupção: youtube.com/icomplyapp

Se achar que alguma notícia merece destaque, ou se quiser ver algum tema tratado com maior profundidade mande sua sugestão para: news@icomply.com.br

A iComply possui uma ferramenta, que é um aplicativo para smartphone, para sua empresa manter o seu programa de Compliance de forma efetiva e a um baixo custo.

icomply-wp

View all posts

Add comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *