• Integridade: teste de caráter vira etapa de contratação;
  • Como evitar riscos penais por atos de terceiros.

Integridade: teste de caráter vira etapa de contratação
Um bom currículo já não é mais suficiente para conseguir um emprego. Empresas brasileiras, hoje mais interessadas em avaliar o perfil ético dos seus colaboradores, já implementam testes de integridade em candidatos que participam de seus processos seletivos.
É o caso por exemplo das empresas Localiza e Brookfield Incorporações, cujos departamentos de RH trabalham em conjunto com o de Compliance no processo de contratação.
Os testes nessas empresas se aplicam na fase final do processo e expõem o candidato a dilemas éticos capazes de medir o seu potencial de integridade.
O advogado Renato Santos lembra que antes da década de 80, empresas americanas usavam em seus processos seletivos o polígrafo, ou máquina da verdade. Com a proibição desse método, desde então surgiram testes de integridade que as empresas brasileiras começam a conhecer.
Link da notícia

COMENTÁRIO:
É realmente uma pena que as grandes empresas que se veem hoje envolvidas em escândalos de corrupção não tenham dado ano ano de 2012 eu tive a oportunidade de estudar Compliance na Universidade de Berkeley, CA, EUA. E uma coisa que me chamou muito a atenção foi o fato de existir um número grande de pessoas que trabalhavam na área de Recursos Humanos de diversas empresas.
Quando questionei sobre esse fato, obtive uma resposta óbvia, mas que naquele momento não era para mim. Em linhas gerais a ideia é: se você trabalha em uma empresa de caráter de cachorro, não contrate gatos!
Não se faz alusão aqui a cachorros estarem corretos e gatos errados. Não! Mas apenas identificar tendências e valores divergentes.
Igualmente não afirmamos que todos os cachorros terão as mesmas “características”. Não! O corte entre as espécies aqui é moral! É imprescindível que a empresa saiba se é gato, cachorro, lobo, tigre, leão, hiena, etc.
Mais imprescindível ainda, seria saber identificar, em seu processo seletivo, qual aspirante a futuro funcionário apresenta sinais de poder vir a assumir seu viés de gato, cachorro, etc.
Segundo os palestrantes de Berkeley se economiza e se tem mais efetividade direcionando cachorros na matilha, do que tentando converter lobos.
Os lobos podem se comportar bem no meio da matilha, mas só até o momento em que encontrem outros lobos quando, então, invariavelmente, se juntarão à sua alcateia.
Segundo essa linha de raciocínio extremamente lógica e atraente: garantir que o gestor, a equipe da área Recursos Humanos e o Compliance estejam alinhados e busquem comportamentos congruentes com os valores ético-morais da empresa é sem a menor sombra de dúvida um ponto vital para assegurar que novos talentos se desenvolvam corretamente dentro da empresa.
Sua empresa possui teste de integridade?
Qual a sua opinião?

Como evitar riscos penais por atos de terceiros
É verdade que não é fácil para uma empresa supervisionar todos os terceiros com quem tem relações comerciais.
O site espanhol Expansión recomenda as seguintes medidas de due diligence:
1 – Realizar uma investigação da empresa por meio eletrônico, jornais ou até por meio da contratação de um expert em investigação.
2 – Solicitar informação ao terceiro sobre seu sistema de Compliance: código de conduta, mapa de riscos, funcionamento do canal de denúncia, dados sobre o trabalho do Compliance Officer que possam provar sua eficácia.
3 – Solicitar dados sobre a certificação do sistema de Compliance do terceiro.
4 – Inclusão de cláusula contratual que preveja a obrigação de atuar em conformidade com os valores da empresa.
Link da notícia

COMENTÁRIO:
O tema terceiro, em relação à qualquer empresa, é um tema muito espinhoso. Eu concordo que as 4 medidas recomendadas podem ser um bom começo, mas, infelizmente, a meu ver, não são suficientes.
Para você compreender como esse tema é importante, volto a tratar de um artigo da nossa lei anticorrupção, qual seja, o Art. 2o no qual se lê: “As pessoas jurídicas serão responsabilizadas OBJETIVAMENTE, nos âmbitos administrativo e civil, pelos atos lesivos previstos nesta Lei praticados EM SEU INTERESSE OU BENEFÍCIO, exclusivo ou não”.
Em outra oportunidade falarei sobre a responsabilidade objetiva da pessoa jurídica.
Nesse momento, quero focar na responsabilidade por atos lesivos que tenham sido praticados em seu interesse.
Atenção: a lei é muito clara! A empresa não responderá por pesadas multas somente quando alguém se seus quadros funcionais realizar um ato de corrupção! Não!
Ela responderá inclusive, e com a mesma intensidade, quando esse ato de corrupção for realizado por um terceiro totalmente estranho aos quadros laborais da empresa.
Exemplifico: sua empresa contratou um despachante aduaneiro para liberar um carga que chegou no porto. Você, por qualquer motivo, não quer realizar esse serviço pessoalmente. Se o terceiro que você contratou realizar um ato de corrupção, qual empresa foi beneficiada?
A sua? Então você responderá pelo ato. Esse o significado do art. 2º da lei.
Se você é despachante aduaneiro, acredito que ter um programa de Compliance Efetivo poderá, num futuro próximo, lhe render muitos clientes.
Qual a sua opinião?

Se quiser saber mais sobre Compliance, programas de integridade, ética e ações anticorrupção assinem o canal.

Se achar que alguma notícia merece destaque, ou se quiser ver algum tema tratado com maior profundidade mande sua sugestão para: news@icomply.com.br

IComply, aprimorando pessoas, fortalecendo empresas

icomply-wp

View all posts

Add comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *