• O novo-disque denúncia da Odebrecht;
  • A matemática do denunciante de boa-fé ou whistleblower.

O novo disque-denúncia da Odebrecht
A empresa Odebrecht lançou uma nova versão do seu canal de denúncias. Conforme foi noticiado pela Folha e pelo O Antagonista, as duas grandes mudanças do novo canal são as seguintes: i) o atendimento será feito por uma empresa especializada; e ii) os denunciantes poderão acompanhar a evolução da investigação.
A empresa terceirizada que prestará o serviço do canal de denúncias conta com consultores com curso superior em direito, engenharia ou ciência política.
Link da notícia

COMENTÁRIO:
Para que serve um canal de denúncia? Para receber denúncias, claro, mas será que é só isso?
Muitas empresas quando confrontadas com a necessidade de se implantar um canal de denúncia ficam receosas de receberem… denúncias… e não estou falando sobre questões ligadas à corrupção apenas, mas qualquer tipo de denúncia.
No final das contas, a empresa que tem um efetivo canal de denúncia funciona como um pai zeloso que certamente não tem como monitorar seus filhos 24 horas por dia, mas tem todo o interesse do mundo em saber como eles estão e o que estão fazendo.
O canal de denúncia com a possibilidade de se relatar um fato na modalidade anônima, é SEM SOMBRA DE DÚVIDA uma das maiores fontes de conhecimento de desvios de conduta e, consequentemente, possibilidades de correção que a empresa pode ter.
Quanto maior a empresa, mais segmentada a estrutura de poder.
Certamente sempre haverá um poder central, dando as diretrizes e os nortes a serem seguidos, entretanto, cada qual em seu setor tem sim um poder decisório local e é muitas vezes nessas situações que a falta, ou escassez, de supervisão permite que desvios de conduta ocorram.
O canal de denúncia anônimo permite que QUALQUER PESSOA possa supervisionar QUALQUER PESSOA.
O fato de denunciante poder acompanhar as investigações não significa participar de tudo o que acontece durante a investigação, mas sim ter acesso ao status da investigação. Ou seja, se ela foi recebida, se ela foi investigada e se ela foi concluída. Isso dá transparência à investigação.
Mas, possuir uma empresa terceirizada com INDEPENDÊNCIA FUNCIONAL para realizar as investigações certamente é um fator que demonstra a seriedade com que a empresa está tratando o canal de denúncia.
Qual a sua opinião?

A matemática do denunciante de boa-fé ou whistleblower
O especialista em compliance Adam Turteltaub fez uma breve análise sobre a matemática do whistleblower ou denunciante de boa-fé.
Segundo a informação divulgada pela SEC, 2% das denúncias recebidas são agraciadas com uma premiação financeira, ou cerca de uma denúncia a cada 416.
A depender do ponto de vista, a probabilidade de receber uma compensação financeira pela denúncia por ser alta ou baixa. Por exemplo, quando comparada com a chance de se ganhar na loteria, que é de 1 em 292 milhões, a denúncia parece ser uma boa aposta.
O problema no entanto são as suas consequências. Ao contrário da loteria, em que o apostador gasta uma pequena quantia de dinheiro, o whistleblower arrisca o seu próprio emprego, carreira, vida familiar e sua própria saúde.
Mas não apenas: para os whistleblowers que permanecem anônimos, eles são obrigados a levar uma vida dupla, pois se por um lado mantêm seu emprego, por outro lado tem que fingir que não está colaborando com as autoridades e denunciando a empresa.
Adam aduz que apenas poucos whistleblower denunciam as irregularidades por motivos financeiros. A principal motivação, segundo ele, seria o desejo de se ver o erro corrigido.
Link da notícia

COMENTÁRIO:
Denunciar ou não denunciar, eis a questão.
Em épocas de mudanças de paradigmas como a que estamos vivendo agora, é normal que as pessoas que já tenham realizados desvios de conformidade no passado, ou não tenham, mas tiveram ciência de que outros realizaram desvios e nada fizeram, comecem a se incomodar mais com essa situação.
E vejam bem: no Brasil ainda estamos na fase das delações premiadas, onde a pessoa que realizou o crime resolve entregar seus co-autores ou participes em troca de uma pena mais branda.
Essa fase, que ainda existente nos EUA, abriu a oportunidade para a uma outra, qual seja, a do whistleblower.
Essa situação é aquela na qual uma pessoa que não participou de nenhum desvio de conduta, mas sabe que ele existe, resolve contar às autoridades.
Enquanto o infrator quer diminuir sua pena… qual o atrativo para o whistleblower? Nos EUA eles resolveram essa situação oferecendo parte dos valores envolvidos na multa ao denunciante.
No Brasil nós não temos, ainda, uma regulamentação sobre esse assunto, MAS como essa é uma tendência eu acho que as empresas deveriam se preparar para o que está por vir.
E o que está por vir? R.: O cenário empresarial brasileiro será um de maior controle e fiscalização de todos. Quem entender isso antes e apostar em mudanças vai sair na frente dos demais.
Qual a sua opinião?

Se quiser saber mais sobre Compliance, programas de integridade, ética e ações anticorrupção assinem o canal.

Se achar que alguma notícia merece destaque, ou se quiser ver algum tema tratado com maior profundidade mande sua sugestão para: news@icomply.com.br

IComply, aprimorando pessoas, fortalecendo empresas

icomply-wp

View all posts

Add comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *